quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Quase quatro meses já se passaram de quando recebemos a notícia.
O teste de farmácia positivo parecia um telegrama urgente com a notícia de que nossa vida iria mudar. Era preciso ser forte e fazer um pacto com o tempo para pedir mais tempo. Tempo para entender,  elaborar, para te esperar.
Mas você é dona das horas, Clarice. Determinou sua vinda e veio convicta, reservando o mês de julho, me pedindo pra ficar.
E sim, fico por aqui, à sua espera.
Você nos escolheu.
E eu que desejei tanto você,  às vezes penso em escapar, penso fingir que não é comigo. Sou assim, filha. Você ainda vai entender, não é por mal toda essa minha imperfeição infantil.
Quero ser forte para te receber, adulta para te amparar, saber tomar as rédeas, te proteger.

Ser capaz de tornar legítimo todos aqueles clichés de amor imenso dito pelas mães.

Quero te abrigar aqui fora da mesma maneira que meu corpo-guarita te protege aqui dentro.

Seu pai sempre diz, passando a mão pela minha barriga: Venha, Clarice! Venha logo!
Ele é tão mais preparado que eu, filha. Parece não ter medo. Você vai se orgulhar muito dele.
E nós três em breve iremos nos conhecer.
E isso nos mudará para sempre.





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