sábado, 27 de agosto de 2016
Filha, faltavam dois dias para completarmos 41 semanas e nosso medico-amigo-querido Dr. Fabiano decidiu, com nosso acordo, que o melhor seria induzir o parto dia 26/7 de manhã, 7 horas para ser mais precisa.
Confesso que fui dormir apreensiva com o tal procedimento de indução e chateada por não ter entrado em trabalho de parto. Me sentia frustrada! Queria tanto o parto normal e meu corpo não estava ajudando.
Mas, pra minha surpresa, filha, acordei 3 horas da manhã cheia de dor e contrações. Acordei seu pai ainda incrédula e disse:
Vamos pro hospital. Entrei em trabalho de parto.
E assim fizemos. Na garagem, seu pai e eu nos olhamos e dissemos: só voltaremos pra cá com nossa Clarice no colo.
Nunca vou me esquecer da gente no carro, passando por uma av.paulista vazia na madrugada, eu me contorcendo de dor mas muito, muito feliz.
Chegamos no Santa Joana e eu tinha apenas 1cm e meio de dilatação mas já sentia tanta dor que a médica de plantão achou melhor eu não voltar pra casa.
E assim foi. Fui direcionada para a sala de parto normal enquanto seu pai cuidava das burocracias para a internação.
Foram 12 horas de muita dor. Realmente a dor do parto é alucinante! Nessa sala tinha uma banheira e a água quente me ajudava um pouco. Mas quem mais me ajudou mesmo foi seu pai, que não saiu do meu lado e massageava minhas costas nos momentos de contração.
Ah! Lá também tinha a Jô, uma enfermeira que foi uma verdadeira doula, me ajudou demais e um dia gostaria de reencontrá-la pra agradecer direito.
As horas avançavam, a dor aumentava e a dilatação não progredia. Você começou a ter taquicardia e o Dr. Fabi tentou de tudo para reverter o quadro mas não foi possível.
17h e decidimos ir para a cesarea. Você já estava em sofrimento e eu tinha apenas 5 cm de dilatação. Não dava mais pra esperar.
Aquela decisão me deu um alívio, apesar da sesação de não ter conseguido o parto normal. Logo nos conheceríamos e isso era maior que qualquer coisa.
Eu só queria que você nascesse bem.
Saindo da sala, na maca, olhei pro seu pai , que também estava muito emocionado e pensamos juntos:
Nunca nos esqueceremos desse dia chamado hoje.
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Quinta feira, 14 de julho de 2016.
Hoje completamos 39 semanas, filha.
Se voltarmos um pouquinho no tempo, veremos eu e seu pai conversando e podendo jurar que você já estaria conosco hoje. Achávamos que você nasceria no começo de julho.
Mas você é mesmo dona das horas, Clarice. Ainda não decidiu que é hora e aguarda, paciente, o momento certo da chegada.
Mas uma coisa eu sei: sua vinda será em breve, estamos muito perto de nos conhecermos.
Você, seu pai e eu, nos olharemos fundo e nos reconheceremos um, nos reconheceremos três.
Olha, Clarice, é o seu pai. Veja, filha, sou eu, sua mãe!
E olha só nós três aí.
Você já pesa 3, 300kg, mede 48 cm e ocupa todo nosso tempo, nosso
pensamento e coração.
Venha, minha filha.
Estamos prontos.
Hoje completamos 39 semanas, filha.
Se voltarmos um pouquinho no tempo, veremos eu e seu pai conversando e podendo jurar que você já estaria conosco hoje. Achávamos que você nasceria no começo de julho.
Mas você é mesmo dona das horas, Clarice. Ainda não decidiu que é hora e aguarda, paciente, o momento certo da chegada.
Mas uma coisa eu sei: sua vinda será em breve, estamos muito perto de nos conhecermos.
Você, seu pai e eu, nos olharemos fundo e nos reconheceremos um, nos reconheceremos três.
Olha, Clarice, é o seu pai. Veja, filha, sou eu, sua mãe!
E olha só nós três aí.
Você já pesa 3, 300kg, mede 48 cm e ocupa todo nosso tempo, nosso
pensamento e coração.
Venha, minha filha.
Estamos prontos.
Duas mulheres habitantes do mesmo corpo.
Assim somos, minha Clarice.
Nesses tempos bicudos e virulentos, penso no que isso significa e no quanto é bonito ver mulheres cheias de voz, lutando para serem respeitadas, denunciando em alto falantes, abusos, assédios, desrespeitos e preconceitos.
Gerar um ser é da ordem do indizível, filha. É raro, preciso e tudo mais que meu latim não consegue dizer.
Ser uma mulher gerando outra então. .. É força bruta e poderosa para lutar e querer sim, um mundo melhor e mais respeitoso para nós.
Tenho esperanças .
Te espero, Clarice.
Assim somos, minha Clarice.
Nesses tempos bicudos e virulentos, penso no que isso significa e no quanto é bonito ver mulheres cheias de voz, lutando para serem respeitadas, denunciando em alto falantes, abusos, assédios, desrespeitos e preconceitos.
Gerar um ser é da ordem do indizível, filha. É raro, preciso e tudo mais que meu latim não consegue dizer.
Ser uma mulher gerando outra então. .. É força bruta e poderosa para lutar e querer sim, um mundo melhor e mais respeitoso para nós.
Tenho esperanças .
Te espero, Clarice.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Eu estava deitada, quieta, quase entregue ao sono. Você me cutucou,filha. Quase duvidei até sentir novamente. Sim, era você, me fazendo sentir pela primeira vez seus movimentos. Que alegria te sentir tão viva e tão presente dentro de mim.
Parecia um cochicho ao pé do ouvido, o seu primeiro contato.
Coloquei as mãos sobre a barriga para dizer que eu te reconhecia e estava ali, presente, habitando contigo o mesmo corpo.
Somos duas, Clarice, e disso já não tenho mais dúvidas.
Parecia um cochicho ao pé do ouvido, o seu primeiro contato.
Coloquei as mãos sobre a barriga para dizer que eu te reconhecia e estava ali, presente, habitando contigo o mesmo corpo.
Somos duas, Clarice, e disso já não tenho mais dúvidas.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Quase quatro meses já se passaram de quando recebemos a notícia.
O teste de farmácia positivo parecia um telegrama urgente com a notícia de que nossa vida iria mudar. Era preciso ser forte e fazer um pacto com o tempo para pedir mais tempo. Tempo para entender, elaborar, para te esperar.
Mas você é dona das horas, Clarice. Determinou sua vinda e veio convicta, reservando o mês de julho, me pedindo pra ficar.
E sim, fico por aqui, à sua espera.
Você nos escolheu.
E eu que desejei tanto você, às vezes penso em escapar, penso fingir que não é comigo. Sou assim, filha. Você ainda vai entender, não é por mal toda essa minha imperfeição infantil.
Quero ser forte para te receber, adulta para te amparar, saber tomar as rédeas, te proteger.
Ser capaz de tornar legítimo todos aqueles clichés de amor imenso dito pelas mães.
Quero te abrigar aqui fora da mesma maneira que meu corpo-guarita te protege aqui dentro.
Seu pai sempre diz, passando a mão pela minha barriga: Venha, Clarice! Venha logo!
Ele é tão mais preparado que eu, filha. Parece não ter medo. Você vai se orgulhar muito dele.
E nós três em breve iremos nos conhecer.
E isso nos mudará para sempre.
O teste de farmácia positivo parecia um telegrama urgente com a notícia de que nossa vida iria mudar. Era preciso ser forte e fazer um pacto com o tempo para pedir mais tempo. Tempo para entender, elaborar, para te esperar.
Mas você é dona das horas, Clarice. Determinou sua vinda e veio convicta, reservando o mês de julho, me pedindo pra ficar.
E sim, fico por aqui, à sua espera.
Você nos escolheu.
E eu que desejei tanto você, às vezes penso em escapar, penso fingir que não é comigo. Sou assim, filha. Você ainda vai entender, não é por mal toda essa minha imperfeição infantil.
Quero ser forte para te receber, adulta para te amparar, saber tomar as rédeas, te proteger.
Ser capaz de tornar legítimo todos aqueles clichés de amor imenso dito pelas mães.
Quero te abrigar aqui fora da mesma maneira que meu corpo-guarita te protege aqui dentro.
Seu pai sempre diz, passando a mão pela minha barriga: Venha, Clarice! Venha logo!
Ele é tão mais preparado que eu, filha. Parece não ter medo. Você vai se orgulhar muito dele.
E nós três em breve iremos nos conhecer.
E isso nos mudará para sempre.
Assinar:
Comentários (Atom)
